domingo, 20 de maio de 2012

A alegria do caracol

Chegaram os caracóis malta, convém avisar toda a gente que já é tempo de caracóis e cerveja fresca numa qualquer esplanada, tasca ou fancy restaurant. Não quero saber.


Quero sentar-me, pedir os ditos cujos, beber um gole de cerveja enquanto eles não aparecem e antecipar o prazer da sua chegada à minha mesa. Depois da travessa ser pousada na mesa (sim porque eu não sou de pires) ficar a a inalar o cheiro dos oregãos que são um apelo ao olfacto, e olhar para eles que são uma chamada visual poderosa. A seguir preparo o palito e começo devagar a tirá-los suavemente da sua concha directamente para as minhas papilas gustativas, e oh meu Deus depois de tantos meses com R em que não os pude saborear, aqui está o Maio do meu contentamento.


Um a seguir ao outro vão sendo degustados com o prazer elevado à potencia máxima. Com excepção da audição todos os outros sentidos são chamados a comparecer neste festim sem igual.


Claro que todo este prazer só faz sentido na companhia de comparsas que como nós saibam apreciar os ditos cujos e dissertar sobre os mesmos. 
Faz falta a confraria do caracol!
Tenho dito.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ser é poder Escolher

Tudo na vida tem um sentido, ou mesmo dois ou talvez haja imensos sentidos apesar de estarmos sempre a escolher um deles. Parece difícil fazer escolhas, mas às vezes fazemos imensas, mesmo que não sejam necessárias, mesmo que devêssemos ter esperado que o sentido nos escolhesse a nós em vez do inverso.
Vem esta conversa a propósito do sentido ou das escolhas, ainda não decidi.

Num qualquer dia, uma mulher que eu admiro pelo que é e pelo seu trabalho, dizia-me depois de 15 anos de carreira bem sucedida, que não sabia bem porque fazia aquilo que fazia. Achava que estava na hora de mudar, não pelo cansaço, ou pelo desinteresse, simplesmente porque não conseguia perceber porque estava naquele sítio e não noutro diferente.

Falámos muito sobre o tema e acabou por descobrir, que estava naquela carreira por obstinação (substantivo feminino, só podia). Parece impossível mas vão ver que não é. Quando miúda pensou no que poderia ser o seu futuro, corriam os seus prazenteiros 15 anos de idade.

Foi confrontada pelos pais que era imperativo que fizesse uma escolha, não se podia dar ao luxo de não saber o caminho a seguir. Como era boa aluna, e apesar de não ter respostas, escolheu uma área complicada, logo criticada pelos pais.

"Não podes escolher esse curso, isso não tem sentido, esse curso não é para mulheres, não vais conseguir chegar a lado nenhum."

Ela escolheu, fez facilmente o dito curso, arranjou rapidamente trabalho, foi considerada brilhante  desde muito cedo, trabalhou em diferentes lugares no mundo, sempre com sucesso, tudo isto num mundo de homens (sim isto ainda é real), sendo a única mulher em Portugal na sua área de especialidade.

Durante muito tempo o sentimento de gozo pelo seu trabalho esteve presente, quer pela forma como conseguia passar as suas ideias, quer pela dificuldade dos projectos em que estava envolvida e nos quais era, invariavelmente, bem sucedida.

Hoje em crise de identidade profissional e ao levantar tantas questões, percebe que esta não foi uma verdadeira escolha, e por isso perdeu o sentido que pensava ter. Foi a obstinação, teimosia, pertinácia, birra que a conduziu ao seu futuro. Quis provar que estavam errados os que lhe prognosticavam o insucesso, os que não acreditavam ser possível. E conseguiu, de forma exemplar, só que agora percebe que teve pouco sentido esta escolha, e no fundo acha que sempre  o soube mas só agora é capaz de o dizer em voz alta.

E agora?

Agora vai ter a coragem de  tentar   encontrar um caminho com sentido, ou esperar que este caminho a possa encontrar a ela, sem pressa, porque desta vez quer fazer uma verdadeira escolha. Não para provar nada, não para se opor a ninguém, mas porque Quer.

É bom não é, eu acho!

domingo, 12 de fevereiro de 2012

A inutilidade do texto

Olá pessoas.

Já sei, vou ser considerada a blogger mais tretas de sempre, porque só escrevo quando o rei faz anos, ou quando a Europa se reúne em conselho. Não percebeu, nem eu.

Hoje gostava de dizer qualquer coisa sem interesse de espécie nenhuma, o tipo de texto que depois de se ter lido a primeira linha já toda a gente se foi embora.
Não vos parece bem escrito em termos de concordância gramatical, em termos de conteúdo, é bom, também ajuda a que não leiam mais, podem ir-se embora agora.

Mas aposto que ainda aí estão, é assim o português, gosta de ver acidentes a acontecer, mesmo que sejam linguísticos, de total falta de ideias, palhaços sem graça e com a pintura esborratada ou carros em colisão na 2ª Circular.

Acho que estou a ser bem sucedida, já lá vão umas linhazitas e até agora nada. Podia pôr  aqui uma citação de alguém famoso como o R. Kipling, o F. Pessoa ou mesmo A. Tchékov, para dar alguma credibilidade a isto e ficavam todos impressionados. Percebia-se que era um texto inteligente, de alguém hoje pouco inspirada mas cheio de conhecimentos.

Não, nada disso meus amigos, sim porque se já vão na linha 13 e ainda não se foram embora é porque são meus amigos de verdade. Há que dar valor a quem tem coragem de ver tanta letra junta com virgulas acentos e parágrafos para não dizer coisíssima nenhuma. E sabe bem isto, porque temos sempre tanta preocupação em dizer coisas que façam sentido, que nos esquecemos de vaguear.

............

Ontem vi o filme a Dama de Ferro sobre a Dama de Ferro (estão a ver isto ainda pode piorar, se continuarem aí) e gostei, há que dizê-lo. Mas houve uma passagem que me fez pensar, o que só de si já é um mérito. Lady Thatcher, a dada altura diz que um dos grandes problemas da actualidade é que as pessoas só querem saber de sentimentos,  já ninguém liga a ideias ou pensamentos quando esses é que são realmente importantes.

Desculpem lá todos os que concordam com esta Ideia, mas para mim pensamentos sem sentimentos, são meros exercícios de retórica. Precisamos de sentir o que dizemos para que faça sentido e valha a pena.
Foi só um desabafo, pois precisava de dizer como me estava sentir.

Com isto tudo já tramei o texto, com esta espécie de reflexão minimalista, porque se calhar isto é capaz de ter algum interesse, mas  poucochinho mesmo assim.

Se ficaram até ao fim, são verdadeiramente estóicos e confessem estão sem nada para fazer nesta espécie de antecâmara da semana, que é o final de cada domingo.

Tenho dito.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Nada

Hoje apetece-me escrever sobre nada.
Estou a trabalhar mas sem qualquer expectativa de tipo nenhum. Não sei sobre que tema hei-de escrever. O nada é bastante simples pois é onde pode caber tudo apesar de não estar lá coisa nenhuma. Pensem na vantagem de ter o nada na cabeça. Nada de ideias feitas, nada de medos, nada de preconceitos, há tempo para tudo, ainda vai acontecer o que queremos, não temos dores que nos agoniam, nem arrependimentos.
É quase como nascer de novo, podemos ter algum frio, não saber o que fazer nas situações, pois nada aprendemos ainda, mas no entanto há todo um mundo à nossa espera: cores, cheiros, sons, texturas, sabores.
Podemos começar por aqui, por experimentar os sentidos e ver como a coisa corre, e depois podemos aventurar-nos com as palavras, as pessoas, o conhecimento, o mar e o respirar.
É bom parar para perceber o nosso respirar e sentirmos que estamos cá, somos nós.
Não importa mais nada pois tudo o resto pode chegar a seu tempo (ou não), mas se tivermos consciência do Ser e não do Ter, tudo pode acontecer.
Não me preocupei com rimar, mas aconteceu e na perspectiva do não estava à espera de nada, se chegou deixo ficar.
E sim, conhecedores, eruditos e delatores da língua de Camões, não vos preocupeis com a minha fraca prosa, pois eu sei que não é nada, mas é mesmo isto que preciso. 
Não tenho mais Nada para dizer...

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1 de Dezembro

Feriado desde sempre para todos os que se lembram de si desde sempre. Restauração da Independência dos Espanhóis em 1640, é a data que se assinala neste dia. Parece no entanto que este é o ultimo ano em que celebramos este dia, o que não deixa de fazer sentido, porque entrámos numa era em que voltámos a estar dependentes de outros povos europeus mais a norte situados.
Eu não gosto de guerras, com tantas perdas de vidas e tragédia associada. Mas hoje sou obrigada a pensar que as coisas pareciam mais simples no século XVII. Haviam dois lados, batalhas para travar e no final um dos lados ganhava a guerra e o outro era derrotado. Hoje há muitos lados, não percebemos onde se travam as batalhas e não conseguimos ver onde acaba esta guerra.
E se não trata aqui da morte física, mas confronta-mo-nos com a morte psíquica, afectiva, ideativa que nos vai ameaçando.
LUTEMOS POIS.

Quanto ao feriado, podem leva-lo em nome da nossa recuperação, seja lá o que for que isso significa.
Para mim hoje é e será sempre feriado, pois é o dia que assinala o aniversário do meu pai que faria 80 anos, se não tivesse perdido, mas não sem lutar heroicamente a sua batalha com a doença.


domingo, 20 de novembro de 2011

Domingo

Hoje é domingo, para alguns um dia santo, para outros um fim do principio. Não me enganei , é mesmo assim como estou a dizer.
No fim de semana acreditamos que tudo podemos: vamos descansar, vamos ler, vamos ver exposições, vamos fazer exercício, vamos ao teatro, vamos.
Este fim de semana não fui, bem como muitos de vocês, em muitos destes fins de semana, senão mesmo neste.
                                                                   
Fiquei em casa a pensar.


Foi bom, porque precisamos destes dias de expectativa zero, para que em vez de terem acontecido coisas que tivemos de fazer, aconteceram coisas dentro de nós: ideias, desejos, sonhos, confusões, sentimentos, zangas e devaneios.

E talvez, talvez para o próximo fim de semana, já seja tempo de voltar a fazer coisas,         ou não.



sábado, 19 de novembro de 2011

O Cancro

Já tudo se disse sobre este tema por isso, não sei o que mais posso eu dizer. 
Aconteceu na minha familia há 10 meses atrás e voltou a acontecer ontem. São duas pessoas importantes, de que gosto e de que preciso na minha vida.
Vem este ser omnipotente e arrogante, muda as nossas células, ataca-nos e de repente ficamos reféns com todo um corpo à sua mercê. 
É um nódulo, é uma massa..., são tudo formas dele - cancro - se apresentar e invadir a vida.

Há quem lute, há quem se resigne, há quem negue, há quem tente ironizar e banalizar. 
Mas o que acontece é que se perde o controlo de um corpo que passa a ser de outro dono. Claro que não podemos desistir de o tentar destruir, mesmo nós, os que amamos estas nossas pessoas que adoecem. O nosso afecto importa para lixar este gajo.







Não é uma mensagem de esperança nem de desesperança, é só zangar-me com quem não pára de ameaçar pessoas de quem eu gosto.